FHIR: diferenças entre revisões

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=== 3. Princípios Fundamentais do FHIR ===
=== 3. Como o FHIR funciona por dentro: princípios estruturais ===


O sucesso do FHIR enquanto standard de interoperabilidade reside na forma como equilibra complexidade e simplicidade, solidez e leveza, rigor semântico e agilidade tecnológica. Não é apenas uma nova forma de organizar dados clínicos: é uma arquitetura pensada para ser compreendida, aplicada e estendida por diferentes atores num ecossistema digital em constante mutação.
Até aqui, vimos o FHIR como uma resposta moderna aos desafios da interoperabilidade em saúde. Mas o que torna este standard verdadeiramente inovador não é apenas a sua proposta — é a forma como foi construído.


A sua fundação assenta em cinco princípios estruturantes, que se articulam entre si como os elementos de um organismo vivo: REST, recursos, formatos legíveis, extensibilidade e modularidade.
O FHIR não é apenas um conjunto de regras. É uma arquitectura pensada para comunicar informação clínica com elegância técnica, legibilidade semântica e flexibilidade controlada. Nesta secção, exploramos os seus princípios estruturais com uma pergunta em mente: por que razão o FHIR escolheu este caminho e não outro?


==== 3.1 RESTful APIs: a linguagem da web moderna ====
==== 3.1 Porquê REST, e não SOAP? ====


O FHIR adopta os princípios da arquitetura REST (Representational State Transfer), o mesmo modelo utilizado por milhares de aplicações e serviços web em todo o mundo. Isto significa que a interação com os dados faz-se através de chamadas HTTP simples, como GET, POST, PUT e DELETE, aplicadas a URLs bem definidas.
Ao adotar APIs RESTful, o FHIR afasta-se das abordagens mais pesadas baseadas em SOAP (como o HL7 v3) e aproxima-se das tecnologias utilizadas em milhões de aplicações web. REST oferece simplicidade, previsibilidade e uma curva de aprendizagem muito mais suave.


Cada recurso FHIR pode ser acedido como uma página web. Por exemplo:
A comunicação é feita através de chamadas HTTP simples, que espelham ações básicas: consultar (GET), criar (POST), atualizar (PUT), apagar (DELETE).


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Revisão das 16h45min de 28 de junho de 2025

1. Introdução

A crescente informatização dos sistemas de saúde tem vindo a expor um problema estrutural: os dados clínicos continuam, frequentemente, isolados em sistemas fechados, pouco comunicantes, desenvolvidos em tecnologias desatualizadas. Esta fragmentação prejudica o acesso oportuno à informação, compromete a continuidade dos cuidados e dificulta a inovação digital.

É neste contexto que surge o standard Fast Healthcare Interoperability Resources (FHIR), desenvolvido pela HL7 International. O FHIR propõe uma nova abordagem para a interoperabilidade em saúde, baseada em princípios modernos da web, como o uso de APIs RESTful e a representação de dados em JSON ou XML.

Nota de enquadramento:

O FHIR é hoje considerado o standard mais promissor na construção de sistemas de saúde verdadeiramente interoperáveis, modulares e adaptáveis a múltiplos contextos — desde grandes hospitais a aplicações móveis.

Ao contrário dos modelos centrados em documentos pesados, o FHIR organiza a informação em recursos. Cada recurso representa uma unidade fundamental da realidade clínica ou administrativa, como um utente, uma observação, uma prescrição ou um episódio de internamento. Estes recursos podem ser consultados, combinados ou atualizados através de chamadas simples a partir de qualquer sistema compatível.

1.1 O que se aprende nesta página

Esta página foi concebida como uma introdução estruturada e acessível ao FHIR, destinada a estudantes, profissionais de saúde e técnicos que procuram compreender os fundamentos deste standard.

No final da leitura, espera-se que o leitor:

  • Conheça o contexto em que o FHIR surgiu
  • Compreenda os seus princípios técnicos fundamentais
  • Reconheça os principais tipos de recurso
  • Visualize casos reais de aplicação
  • Perceba a relevância do FHIR em Portugal e na Europa
Em resumo
FHIR é um standard criado para facilitar a partilha estruturada de dados clínicos. Usa tecnologias modernas da web e organiza a informação em unidades chamadas recursos. Está a transformar a forma como os sistemas de saúde comunicam entre si.

2. Porquê FHIR?

Os sistemas de informação em saúde evoluíram, ao longo das últimas décadas, com o objetivo de permitir a troca estruturada de dados clínicos entre diferentes instituições e plataformas. Para esse fim, foram desenvolvidos vários standards de interoperabilidade pela HL7 International, entre os quais se destacam o HL7 v2, o CDA e o HL7 v3.

Apesar do seu valor histórico, estes standards apresentaram limitações significativas em termos de consistência, complexidade e capacidade de adaptação a novos contextos tecnológicos. O FHIR surge como uma resposta pragmática a essas limitações, propondo um novo paradigma mais próximo das tecnologias da web, e mais adequado à realidade contemporânea dos sistemas de saúde.

2.1 O legado dos standards anteriores

A tabela seguinte resume as principais características dos standards que antecederam o FHIR, destacando os seus contributos e limitações.

Standard Ano Estrutura principal Força principal Limitações mais relevantes
HL7 v2 1989 Mensagens segmentadas Elevada difusão mundial Ambiguidades, falta de uniformidade, difícil validação
CDA 2001 Documentos XML estruturados Normalização de relatórios clínicos Monolitismo, fraca granularidade dos dados
HL7 v3 2005 Modelos rigorosos baseados em RIM Formalismo conceptual Complexidade elevada, fraca adoção
FHIR 2014 Recursos modulares e APIs RESTful Simplicidade e flexibilidade Requer maturidade digital dos sistemas

Apesar dos avanços, verificou-se que os standards anteriores não conseguiam responder de forma eficaz aos novos desafios da saúde digital: integração de aplicações móveis, interoperabilidade em tempo real, desenvolvimento ágil, e envolvimento de equipas multidisciplinares.

2.2 Uma proposta mais moderna e orientada para a prática

O FHIR introduz uma abordagem técnica mais acessível, baseada em tecnologias abertas amplamente utilizadas fora do setor da saúde. Utiliza chamadas HTTP (como GET, POST, PUT, DELETE) para interagir com recursos, que representam unidades discretas de informação clínica ou administrativa.

Cada recurso, como por exemplo Patient, Observation ou Encounter, é uma entidade autocontida que pode ser consultada, atualizada ou combinada com outros recursos, promovendo uma lógica modular e reutilizável.

Exemplo de chamada a um recurso Patient:

<syntaxhighlight lang="bash"> GET /fhir/Patient?name=Sousa </syntaxhighlight>

Ao adotar este modelo, o FHIR permite acelerar a implementação de soluções interoperáveis, facilitar a integração entre sistemas distintos e abrir a porta à inovação por parte de equipas técnicas com diferentes origens, incluindo o desenvolvimento web e mobile.

2.3 FHIR como mudança de paradigma

Mais do que uma evolução técnica, o FHIR representa uma mudança de paradigma. Substitui estruturas pesadas por componentes leves e combináveis, aproxima-se da lógica da programação orientada a objetos e introduz um modelo mais compatível com os princípios da transformação digital.

Esta arquitetura torna o FHIR particularmente relevante no contexto atual, em que se exige maior interoperabilidade entre unidades de saúde, maior transparência para os cidadãos e maior eficiência na utilização dos dados clínicos.

Em resumo
O FHIR representa uma resposta consciente aos limites históricos da interoperabilidade em saúde. Combina simplicidade técnica com profundidade semântica, promovendo uma nova geração de sistemas interoperáveis, modulares e centrados no utente.

3. Como o FHIR funciona por dentro: princípios estruturais

Até aqui, vimos o FHIR como uma resposta moderna aos desafios da interoperabilidade em saúde. Mas o que torna este standard verdadeiramente inovador não é apenas a sua proposta — é a forma como foi construído.

O FHIR não é apenas um conjunto de regras. É uma arquitectura pensada para comunicar informação clínica com elegância técnica, legibilidade semântica e flexibilidade controlada. Nesta secção, exploramos os seus princípios estruturais com uma pergunta em mente: por que razão o FHIR escolheu este caminho e não outro?

3.1 Porquê REST, e não SOAP?

Ao adotar APIs RESTful, o FHIR afasta-se das abordagens mais pesadas baseadas em SOAP (como o HL7 v3) e aproxima-se das tecnologias utilizadas em milhões de aplicações web. REST oferece simplicidade, previsibilidade e uma curva de aprendizagem muito mais suave.

A comunicação é feita através de chamadas HTTP simples, que espelham ações básicas: consultar (GET), criar (POST), atualizar (PUT), apagar (DELETE).

```wiki <syntaxhighlight lang="bash"> GET /fhir/Patient/123 </syntaxhighlight>